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Como os castelos eram construídos

Um castelo saía de uma pedreira, de um forno de cal e de uma folha de pagamento. A façanha, quando existe, é logística.

Publicado em · atualizado em

Imagem: Ibex73 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Não é milagre, é canteiro

A imagem do castelo que “surge” em poucos meses, erguido por uma massa anônima, não encontra apoio nas contas. Havia mestre de obra, cantores, carpinteiros, carreiros, forja e, no inverno, interrupção. A pedra vinha de uma pedreira próxima sempre que o terreno permitia: transportar bloco pesado por terra era caro o bastante para decidir a cor da muralha.

Materiais

Pedra, cal, madeira, ferro

A parede costuma ter dois paramentos de pedra melhor e um miolo de entulho e argamassa. A cal precisa ser queimada, apagada e curada; uma junta má condena o muro mais depressa do que uma pedra feia. A madeira — carvalho, quando possível — faz andaime, cimbre, piso e cobertura. O ferro aparece em dobradiças, rastrilhos, ferramentas e grampos, em quantidade menor e preço maior.

A escolha não é estética no sentido moderno. É o que o raio de transporte e o orçamento autorizam.

Tempo e dinheiro

As contas régias inglesas dos séculos XII e XIII — e, em menor densidade, as francesas — mostram prazos de anos, não de estações. Uma campanha de verão avançava o paramento; a seguinte corrigia, cobria ou mudava o plano. Castelos de Eduardo I no País de Gales e obras como Dover ilustram a ordem de grandeza: uma fatia visível da tesouraria, salários diários, interrupção quando o dinheiro parava.

Cifras isoladas enganam. O custo de uma portaria monumental não se compara ao de uma paliçada sobre motta, e um senhor local não gasta como um rei.

Quem faz

O mestre de obra itinerante — o caso mais citado no Gwynedd é James of St. George — coordena ofícios e presta contas. Marcas de pedreiro permitem, hoje, reconstruir equipes. A analogia com o arquiteto contemporâneo falha: o traçado nasce no canteiro, em diálogo com a pedra que chega e com o senhor que paga.

O canteiro de Guédelon, na Borgonha, desde 1997, testa gestos que as fontes escritas descrevem mal: ritmo do talhe, desgaste da ferramenta, transporte com tração animal. É experimento, não documento. Serve para formular perguntas melhores, não para substituir as contas de 1280.

Fontes consultadas

  1. Salzman, L. F.. Building in England Down to 1540 Oxford University Press 1952
  2. Bernardi, Philippe. Bâtir au Moyen Âge CNRS Éditions 2011
  3. Gimpel, Jean. A revolução industrial da Idade Média Zahar 1977
  4. Projeto Guédelon. Canteiro experimental Guédelon 1997 consultar

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