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Guias verificados sobre castelos, arquitetura militar e vida medieval

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Referência

Glossário medieval

66 termos usados nos guias do acervo, de adarve a vilão. Muitas dessas palavras mudaram de sentido entre regiões e séculos; quando isso acontece, a definição registra a variação em vez de escolher uma versão única.

Termos com a letra A

Adarve também: caminho de ronda

Passagem no alto da muralha, protegida pelo parapeito, por onde a guarda circulava e de onde combatia. Em alguns recintos o adarve era contínuo; em outros, interrompia-se nas torres.

Aparece em: Muralhas, ameias e adarves: a linha de defesa por dentro · Castelos concêntricos: por que duas muralhas mudaram a defesa

Alcáçoba também: alcazaba

Recinto fortificado do poder em al-Andalus e no Magrebe, em geral ligado à medina. Não é um sinônimo exato de castelo senhorial europeu.

Aparece em: Alcáçabas e fortificações de al-Andalus

Ameia

Vão aberto no parapeito da muralha, por onde se via e se atirava. O cheio ao lado da ameia chama-se merlão; a troca dos dois nomes é o erro de vocabulário mais comum.

Aparece em: Muralhas, ameias e adarves: a linha de defesa por dentro

Antecâmara

Peça de passagem que filtrava o acesso à câmara senhorial. Costumava abrigar o guarda-roupa e os oficiais de confiança, não um simples corredor.

Aparece em: Câmaras privadas, solar e capela: a intimidade nos muros

Antecorpo

Construção anexa que protege e encena a entrada elevada da grande torre, com escada coberta, porta própria e, em alguns casos, capela intermediária.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução

Arca

Baú de madeira, muitas vezes reforçado com ferro, usado para guardar panos, documentos, prataria e especiarias. Era o móvel mais numeroso dos inventários.

Aparece em: Câmaras privadas, solar e capela: a intimidade nos muros

Argamassa

Mistura de cal, areia e água que liga as pedras da alvenaria. A qualidade da cal e a cura da junta decidiam a durabilidade do muro tanto quanto a pedra escolhida.

Aparece em: Materiais de construção de um castelo: pedra, cal, madeira e ferro

Aríete

Trave pesada, às vezes com cabeça de metal, usada para percutir repetidamente um portão ou um ponto da muralha, em geral sob um alpendre móvel.

Aparece em: Máquinas de cerco: aríete, mangonel e trabuco

Termos com a letra B

Baile também: bailey

Pátio cercado ao pé da motta, com paliçada e fosso, onde ficavam cavalariças, oficinas, cozinha e alojamentos. Havia castelos com mais de um baile.

Aparece em: Motta e baile: a origem dos castelos de terra e madeira

Barbacã

Obra avançada diante da portaria, destinada a afastar o primeiro choque da muralha principal e a expor o atacante ao tiro flanqueado. Nem todo recinto avançado é uma barbacã.

Aparece em: Portaria e barbacã: a entrada como obstáculo

Bergfried

Torre alta e estreita típica das terras do Sacro Império, em geral sem função residencial, associada à observação e à afirmação de domínio sobre a paisagem.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução

Besta

Arma de arremesso com arco montado em haste, armada por alavanca, gancho ou torno. Exigia menos treino que o arco longo e predominava na defesa de muralha.

Aparece em: Arqueiros e besteiros: alcance, cadência e limites

Termos com a letra C

Cadafalso também: hourd

Galeria de madeira projetada para fora do parapeito, montada em tempo de ameaça, que permitia atirar e largar objetos na base da muralha. Muitos foram depois substituídos por matacães de pedra.

Aparece em: Defesa vertical: frestas, matacães e cadafalsos

Câmara senhorial

Aposento mais restrito da família, usado para dormir, receber em círculo fechado e guardar bens. Ligava-se ao salão, mas não se confundia com ele.

Aparece em: Câmaras privadas, solar e capela: a intimidade nos muros

Cantaria

Pedra talhada com precisão e assentada em juntas finas, usada em quinas, molduras, vãos e escadas, por oposição à alvenaria bruta do miolo da parede.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução

Canteiro

Conjunto organizado de extração, talhe, transporte e assentamento em uma obra. Incluía oficinas, depósitos, alojamento sazonal e a hierarquia do mestre de obra.

Aparece em: Mestres construtores e o canteiro de um castelo

Castelão

Oficial encarregado da guarda e da gestão cotidiana de uma praça, em nome do senhor ou do rei. Nem sempre era o proprietário do castelo.

Aparece em: O senhor do castelo: poder, gestão e justiça

Celeiro

Edifício ou compartimento para armazenar cereais. No senhorio, o celeiro era ao mesmo tempo reserva alimentar, garantia de renda e estoque de cerco.

Aparece em: Conservação e abastecimento de alimentos no senhorio

Copa

Setor responsável pelas bebidas da casa — vinho, cerveja, hidromel — e pelos recipientes. Prestava contas à administração da residência, não à cozinha.

Aparece em: A cozinha do castelo: fornos, espetos e despensas

Cortina

Trecho de muralha entre duas torres. Quase nunca funcionava isolada: dependia do fosso, do talude, do flanqueamento e do adarve.

Aparece em: Muralhas, ameias e adarves: a linha de defesa por dentro

Cota de malha

Defesa corporal feita de anéis de ferro entrelaçados. Predominou do século XI ao XIV, antes da generalização das peças de placa e do arnés completo.

Aparece em: Armas e armaduras dos defensores de um castelo

Termos com a letra D

Dendrocronologia

Datação pelo crescimento anual dos anéis da madeira. Em castelos, vigas de piso, cimbres e peças de cobertura podem fixar fases de obra com precisão rara.

Aparece em: Como arqueólogos escavam um castelo

Despensa

Setor que controlava o pão e, em sentido amplo, o estoque seco da casa. As rações por categoria de servidor eram registradas com rigor contábil.

Aparece em: O que se comia em um castelo: mesa alta e mesa baixa · A cozinha do castelo: fornos, espetos e despensas

Donjon

Nome francês da grande torre, derivado do latim dominio. Em análise contemporânea, muitos autores preferem “grande torre” para evitar a expectativa de reduto final.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução

Termos com a letra E

Escudeiro

Jovem da casa senhorial em fase avançada de formação militar e de serviço, posterior à de pajem. O termo e a idade variam conforme o território e o século.

Aparece em: Infância, pajens e escudeiros na casa senhorial

Estrado

Plataforma elevada no extremo do salão, onde se sentavam o senhor, a senhora e os hóspedes de estatuto. Tornava visível a hierarquia da refeição e da audiência.

Aparece em: O grande salão do castelo: mesa, justiça e representação

Estratigrafia

Leitura das camadas sucessivas de um sítio. Escavar um castelo é registrar a ordem dessas camadas — e destruí-las no processo.

Aparece em: Como arqueólogos escavam um castelo

Termos com a letra F

Flanqueamento

Disposição de torres salientes que permite tiro rasante ao longo da face da cortina, atingindo de lado quem escala, escava ou aproxima máquinas.

Aparece em: Muralhas, ameias e adarves: a linha de defesa por dentro

Fortaleza abaluartada

Traçado da engenharia moderna, com baluartes angulosos pensados para a artilharia de pólvora. É outra família construtiva, distinta do castelo medieval.

Aparece em: Fortalezas coloniais no Brasil não são castelos medievais

Fosso

Vala seca ou com água em torno do recinto. Aumentava a altura efetiva da muralha, impedia a aproximação de máquinas e fornecia terra para a motta ou o talude.

Aparece em: Motta e baile: a origem dos castelos de terra e madeira

Fresta também: seteira

Abertura estreita na muralha ou na torre, alargada para dentro, por onde se atirava com arco ou besta com exposição limitada. A planta varia conforme a arma.

Aparece em: Defesa vertical: frestas, matacães e cadafalsos

Termos com a letra G

Grande salão

Peça pública da residência: refeitório, tribunal e palco de representação. Não era o aposento de dormir da família, embora a porta da câmara costumasse abrir para ele.

Aparece em: O grande salão do castelo: mesa, justiça e representação

Guarda-roupa também: garderobe

Na documentação inglesa e francesa, depósito de valores móveis — panos, peles, prataria, documentos — e, em outro uso, a latrina mural. O sentido depende do contexto.

Aparece em: Câmaras privadas, solar e capela: a intimidade nos muros

Guarnição

Conjunto de homens pagos ou obrigados a guardar uma praça. Em tempo de paz costumava ser pequeno; em cerco crescia por contrato, convocação e improvisação.

Aparece em: Guarnições: quantos homens defendiam um castelo

Termos com a letra H

Homenagem

Ritual de fidelidade pelo qual alguém reconhecia um suserano e, em vários territórios ibéricos, recebia a guarda de uma torre ou praça — daí o nome torre de menagem.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução

Termos com a letra J

Justiça senorial

Direito do senhor de julgar causas no âmbito do senhorio. Distinguia-se, conforme o território, entre justiça baixa (multas, conflitos menores) e alta (casos graves).

Aparece em: O senhor do castelo: poder, gestão e justiça

Termos com a letra L

Latrina mural

Assento com conduto aberto na espessura da parede, despejando no fosso, no rio ou em fossa. A presença de latrinas é um dos melhores indícios de ocupação residencial.

Aparece em: Aquecimento, iluminação e latrinas no castelo

Libré

Vestuário fornecido periodicamente pela casa ao servidor. Identificava o dependente, o vinculava publicamente ao senhor e fazia parte da remuneração.

Aparece em: A criadagem do castelo: quem fazia a casa funcionar

Termos com a letra M

Mangonel

Nome usado nas fontes para máquinas de arremesso, em geral de torção. O vocabulário medieval não é estável: o mesmo termo pode designar engenhos diferentes.

Aparece em: Máquinas de cerco: aríete, mangonel e trabuco

Marca de pedreiro

Sinal talhado na pedra para identificar o trabalho de um cantor ou de uma equipe, útil para pagamento e, hoje, para reconstruir a organização do canteiro.

Aparece em: Mestres construtores e o canteiro de um castelo

Matacão também: mata-cães, machicolation

Galeria ou balcão de pedra com aberturas no piso, sobre portas e trechos críticos, que permitia atuar na vertical sobre quem estava na base. Substituiu em muitos casos o cadafalso de madeira.

Aparece em: Defesa vertical: frestas, matacães e cadafalsos

Medina

Núcleo urbano islâmico, com mesquita, mercado e trama de ruas. Em al-Andalus, a alcáçoba se articula à medina; não é um recinto isolado no campo.

Aparece em: Alcáçabas e fortificações de al-Andalus

Merlão

Trecho cheio do parapeito, que protege o corpo de quem está no adarve. Fica entre duas ameias. Não é o vão — o vão é a ameia.

Aparece em: Muralhas, ameias e adarves: a linha de defesa por dentro

Mesa alta

Mesa do estrado, reservada à família e aos hóspedes de estatuto. Recebia pão mais branco, peças melhores e serviço à parte da mesa baixa.

Aparece em: O que se comia em um castelo: mesa alta e mesa baixa

Mestre de obra

Responsável pela condução técnica do canteiro: traçado, contratação de ofícios, compra de material e, em obras régias, prestação de contas. Não equivale ao arquiteto contemporâneo.

Aparece em: Mestres construtores e o canteiro de um castelo

Mina

Galeria escavada sob a base de um muro ou torre, escorada com madeira que depois era incendiada para provocar o desabamento da estrutura acima.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução · Como funcionava um cerco medieval

Mordomo

Oficial de alta posição na casa, encarregado da coordenação do serviço interno. O título e as atribuições mudam entre a França, a Inglaterra e a Península Ibérica.

Aparece em: A cozinha do castelo: fornos, espetos e despensas · A criadagem do castelo: quem fazia a casa funcionar

Motta também: motte

Monte artificial de terra, muitas vezes com fosso na base, que sustentava no topo uma torre e uma cerca. Foi a forma mais comum de castelo no noroeste europeu do século XI.

Aparece em: Motta e baile: a origem dos castelos de terra e madeira

Muro-espinha

Parede divisória central que atravessa a grande torre de alto a baixo, apoiando o vigamento dos pisos e separando salão e câmara em cada pavimento.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução

Termos com a letra O

Oubliette

Palavra tardia para um poço-prisão acessível só por cima. Casos autênticos são raros; a maior parte das “oubliettes” de visita guiada é leitura romântica de depósitos e cisternas.

Aparece em: Masmorras, torturas e cintos de castidade

Termos com a letra P

Pajem

Criança ou adolescente da casa senhorial em fase inicial de serviço e educação, em geral em residência alheia à dos pais. O aprendizado misturava mesa, armas e maneiras.

Aparece em: Infância, pajens e escudeiros na casa senhorial

Paliçada

Cerca de estacas de madeira fincadas e, muitas vezes, atadas entre si. Precedeu ou acompanhou a muralha de pedra em motte-and-bailey e em recintos provisórios.

Aparece em: Motta e baile: a origem dos castelos de terra e madeira

Parapeito

Muro baixo no lado externo do adarve. Pode ser maciço, recortado em merlões e ameias, ou furado só por frestas.

Aparece em: Muralhas, ameias e adarves: a linha de defesa por dentro

Portaria

Edifício da entrada, com torres, passagem coberta, portas sucessivas e, com frequência, aposentos habitáveis. No recinto concêntrico, costuma ser o bloco mais elaborado.

Aparece em: Portaria e barbacã: a entrada como obstáculo · Castelos concêntricos: por que duas muralhas mudaram a defesa

Termos com a letra Q

Quaresma

Período de abstinência de carne que, somado a sextas-feiras e vigílias, retirava a carne da mesa em mais de cem dias por ano em muitas casas. Estruturava o abastecimento de peixe.

Aparece em: O que se comia em um castelo: mesa alta e mesa baixa

Termos com a letra R

Rastrilho também: grade levadiça

Grade de madeira e ferro que descia em ranhuras na passagem da portaria, fechando o corredor independentemente da porta de madeira.

Aparece em: Castelos concêntricos: por que duas muralhas mudaram a defesa

Recinto concêntrico

Planta em que um circuito interno, mais alto, é envolvido por um circuito externo, de modo que os defensores do adarve interno atiram por cima da linha de fora.

Aparece em: Castelos concêntricos: por que duas muralhas mudaram a defesa

Termos com a letra S

Senhorio

Conjunto de terras, rendas, direitos de justiça e obrigações que sustentavam o poder de um senhor. O castelo era, com frequência, a sede visível desse conjunto — não o conjunto inteiro.

Aparece em: O senhor do castelo: poder, gestão e justiça

Solar

Na Inglaterra dos séculos XIII a XV, aposento privativo de melhor acabamento, muitas vezes no andar superior, associado à família e aos hóspedes de confiança.

Aparece em: Câmaras privadas, solar e capela: a intimidade nos muros

Termos com a letra T

Talude

Espessamento inclinado na base externa da muralha. Reforça a seção exposta à picareta e à mina e afasta o pé das escadas de assalto.

Aparece em: Muralhas, ameias e adarves: a linha de defesa por dentro

Tenshu

Torre principal do castelo japonês dos séculos XVI e XVII, de madeira sobre base de pedra. Não é um equivalente direto da torre de menagem europeia.

Aparece em: Castelos japoneses: pedra, madeira e outra lógica de defesa

Torre de menagem

Maior torre de um castelo, que reunia residência de aparato, guarda de bens e comando. O nome ibérico remete ao juramento pelo qual alguém recebia a guarda da fortaleza.

Aparece em: Torre de menagem: função, formas e evolução

Trabuco

Máquina de arremesso movida por contrapeso. A caixa carregada desce, gira o braço longo e solta a pedra em curva alta, com repetibilidade maior que a das máquinas de tração.

Aparece em: Máquinas de cerco: aríete, mangonel e trabuco

Tribuna

Galeria elevada da capela, ligada aos aposentos da família, de onde o senhor e a senhora acompanhavam a celebração sem descer à nave usada pela criadagem.

Aparece em: Câmaras privadas, solar e capela: a intimidade nos muros

Trincho

Fatia espessa de pão duro usada como base de prato, que absorvia o molho e depois podia ser recolhida para esmola ou para consumo de quem tinha posição baixa na casa.

Aparece em: O que se comia em um castelo: mesa alta e mesa baixa

Termos com a letra V

Vilão

Habitante do senhorio sujeito a obrigações camponesas. A palavra não era insulto: designava condição jurídica. Distingue-se do servidor da casa e do homem de armas.

Aparece em: O senhor do castelo: poder, gestão e justiça